Em 2023 lancei “Horta das Corujas: Minha História de um Pequeno Paraíso em São Paulo e Guia para Plantio Urbano” pela Bambual Editora. O livro continua à venda: https://bambualeditora.com.br/p/horta-das-corujas/?srsltid=AfmBOoqoOV_s9eSWPIIN-NSEm2GGGt1bFYB85w14KHpiLdwBWAgC1vi5 .

Abaixo estão a introdução e o primeiro capítulo. O livro tem duas partes. Na primeira eu conto como a vida me levou a ser uma das criadoras da Horta das Corujas e toda sua história. “Como e por que plantar comida na cidade” é o tema da segunda, composta por 7 capítulos: 20 motivos, Como iniciar uma horta, Plantas fáceis de cultivar, Produzir terra, Sugestões para hortas escolares, Sugestões para os governantes, Sugestões para o ativismo coletivo dar certo.

Boa leitura!

 

Introdução

A história da Horta das Corujas, primeira horta comunitária em espaço público aberto da cidade de São Paulo, precisava ser registrada. Quando abracei a tarefa, no entanto, percebi que não conseguiria fazer o relato sem explicar como virei agricultora e entrei nessa aventura. Puxando os fios da memória, acabei caindo na teia formada pelos afetos que brotaram do sonho comum de tornar as cidades mais verdes e comestíveis, enveredei por outras hortas que foram surgindo e por minha trajetória pessoal e profissional. A biografia da horta se mistura com a da Claudia e a de tanta gente.

A Horta das Corujas existe desde 2012 e fica numa grande praça de mesmo nome na Vila Beatriz, bairro colado à famosa Vila Madalena, na cidade de São Paulo. Há ali produção de alimentos, recuperação de solo e nascentes, proteção de abelhas e tantos outros tesouros ambientais. Virou uma sala de estar verde com jeito de paraíso acessível a qualquer pessoa a qualquer hora. Quem resolve oferecer seu trabalho vive a incrível experiência de gerar riqueza a partir de dois ingredientes: a natureza e a dedicação humana.

Não existe uma forma de vida isolada. Cada organismo está em constante troca com o ambiente e com outros seres vivos. A Horta das Corujas não germinou nem sobrevive sozinha. É resultado de muitas interações entre as pessoas e o território.

Vou contar o que vi, ouvi, por onde minhas botas enlameadas passaram, como meti a mão na terra, o que tocou meu coração. Não se trata do relato dos acontecimentos em si, mas de como me lembro deles. Peço desculpas pelas prováveis falhas, esquecimentos, imprecisões e injustiças. Existem dezenas de trabalhos acadêmicos sobre a Horta das Corujas que a descrevem de forma mais objetiva, então me senti livre para uma conversa solta com você sobre minhas percepções. Sou uma das fundadoras e a única voluntária da horta que atua desde antes da inauguração.

Como surgiu a horta? Como ela funciona? Quantas pessoas trabalham? Para que serve essa horta? O que tem para colher? Como posso ajudar?

Respondi muitas e muitas vezes a essas perguntas, mas com o tempo foi ficando cada vez mais difícil resumir em poucas palavras. Em conversas casuais, já não sei por onde começar. Então resolvi mergulhar nesse caleidoscópio de lembranças e reflexões para descrever tudo com calma. O processo de construção destse livro também me serviu para organizar sentimentos. Como você verá, não é fácil cuidar de um espaço público aberto onde, a qualquer momento, podem ocorrer furtos e depredação. Para complicar, poucos voluntários se tornam verdadeiros “arrimos de horta”, o que sobrecarrega os quase inexistentes gatos pingados que se responsabilizam continuamente pela área. Em alguns momentos fiquei um pouco estressada durante as jornadas de trabalho, razão pela qual esta obra é também uma forma de pedir perdão.

Do primeiro ao décimo primeiro capítulo você encontrará os episódios de forma mais ou menos cronológica e contextualizações sobre o dia-a-dia da horta, o manejo de água, a arborização urbana e os diversos movimentos do ativismo ambiental mão na massa na cidade de São Paulo durante a segunda década do milênio. Tudo isso misturado com minha trajetória pessoal e profissional, suas dores e delícias. Do capítulo 12 ao 18 estão as orientações práticas para criar e cuidar de hortas em diversas situações, assim como sugestões para tomadores de decisão.

“Não parece São Paulo”, dizem muitos visitantes ao transpor a porteira da Horta das Corujas. Discordo. Para mim é o local mais paulistano do universo. Aqueles 800 metros quadrados manifestam uma realidade que poderia existir em toda parte. Cabe a nós construir centímetro a centímetro esse lugar tão bom de se viver. 



Capítulo 1 – Um sonho

Riacho
O ano era mais ou menos 1980. Adolescente que estudava em colégio puxado, praticava esportes e dava aulas particulares para gerar a própria mesada, eu quase não tinha tempo livre. Morávamos na rua Pereira Leite, no bairro do Sumarezinho, Zona Oeste de São Paulo, logo acima da rua Dom Rosalvo, construída ao lado do recém-canalizado Córrego das Corujas. A uns 500 metros de casa existia um morro meio largado onde um dia seria construída a praça Dolores Ibarruri, nome que nunca pegou. Todo mundo conhece por praça das Corujas.

Nas poucas horas de descanso, gostava de passear com Thomas, o cachorro da época na família Visoni. Às vezes deixava o boxer fofo me levar para onde ele queria ir. Um dia fomos parar numa ruazinha pavimentada com blocos de concreto, ao lado de uma parte do córrego das Corujas que corria (e felizmente ainda corre, mais de quarenta anos depois) a céu aberto. Do outro lado do riacho avistei uns cavalos, uma casinha de madeira, bananeiras. Fiquei totalmente hipnotizada. Cena mágica em plena metrópole. Parecia um portal para outra dimensão. Parei e fiquei contemplando não sei quanto tempo. Esse é exatamente o local onde, em 2012, seria inaugurada a Horta das Corujas, primeira horta comunitária em praça pública da cidade de São Paulo.

Fadinha
Vou mergulhar um pouco mais no passado porque a agricultora urbana que um dia eu me tornaria deve muito à criança que fui. Desde que me conheço por gente, queria ir para o mundo. Com dois ou três anos pedia para entrar na escola, algo pouco comum na década de 1960, quando as crianças em geral acessavam o ensino aos seis anos de idade. Meu primeiro dia de aula foi aos 4 anos, no Colégio das Nações, avenida Pompeia. A adaptação foi instantânea. Eu estava realizada estudando. No ano seguinte mudei para a escola Nossa Senhora de Fátima, ao lado da igreja de mesmo nome, no bairro do Sumaré, onde minha mãe, Maria Wanda Borges Visoni, dava aulas. E por ali havia um grupo de bandeirantes, nome que hoje é politicamente incorreto, mas assim foi batizado o escotismo feminino no Brasil. Fiquei fascinada com aquelas meninas com uniformes azul-marinho e gravatas coloridas. Parecia um universo mágico e realmente era.

Com sete anos, virei bandeirante, ou melhor, uma fada (nome dado às minibandeirantes até dez anos de idade) do Distrito Paineiras. Havia toda uma história para o grupo das fadinhas, de que pouco me recordo. Mas a personagem principal era uma coruja. E a música, quem viveu isso nunca esquece, é cantada assim “No meio da floresta, havia uma coruja. E nas noites de lua, ouviam-se seus gritos...”.

As reuniões de bandeirantes aconteciam todos os sábados à tarde. Lá por 1974 organizaram uma programação especial. A mãe de uma das colegas tinha acabado de voltar dos Estados Unidos onde fez pós-graduação em ecologia. Ela pediu para conversar com as meninas mais jovens. Éramos nós. Eu nunca tinha ouvido a palavra ecologia que, aliás, não fazia parte do vocabulário cotidiano de ninguém àquela altura. Essa pessoa, cujo nome não sei e nunca mais vi, passou uma mensagem básica que até hoje grande parte da humanidade ainda não entendeu: depois de séculos de exploração irresponsável de recursos, o planeta está beirando o colapso.

Dali para frente, abracei a causa. Fui uma criança e adolescente nem um pouco parecida com a Greta Thunberg, famosíssima ativista climática sueca nascida em 2003. Vivi minha rotina de estudos, esportes e amigos normalmente, mas todo tipo de assunto relacionado a meio ambiente chamava minha atenção. Lembro de acompanhar notícias sobre o início das obras da Transamazônica nos anos 1970, dos primeiros alertas sobre contaminação química de alimentos, da campanha “Salve as baleias”, que deu origem ao Greenpeace, de ler na parede da Sorveteria Rocha, no centro de São Sebastião, a célebre “Carta do Chefe Seattle”.

Em 1986, cursando jornalismo na USP, fui contratada como repórter na Rádio USP. Numa redação cheia de pesadas máquinas de escrever, telefones fixos e jornais de papel, eu li pela primeira vez sobre o sistema de coleta seletiva de resíduos em São Francisco, Califórnia. Novidades assim viravam sinapses instantâneas nos meus neurônios e ficaram gravadas para sempre. Em 1991 fui pela primeira vez aos Estados Unidos e encontrei uma lojinha do Greenpeace onde comprei um saco pequeno de lona grossa fechado com velcro onde até hoje carrego os itens de higiene em todas as viagens. Nessa época eu era editora de comportamento da revista Capricho e já tinha uma coluna mensal sobre ecologia. Recolhia e levava todos os papéis de rascunho da redação para a reciclagem. Em 1992, cobri a Eco 92, que depois ficou conhecida como Rio 92, o primeiro megaencontro organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para debater os problemas ambientais e as mudanças climáticas.

Bandeja orgânica
O acontecimento que mudou minha trajetória e semeou o desejo de virar agricultora ocorreu em 1999. Na época eu era diretora de redação da revista Boa Forma e cumpria jornadas bem intensas como jornalista/executiva. Tarde da noite, depois de um longo expediente por causa do fechamento (bem menos comum no jornalismo de hoje, esse é o dia em que uma publicação precisa ser finalizada e vai para a gráfica), fui a um supermercado 24 horas. Encontrei uma bandejinha de legumes com o rótulo “Alimento orgânico, produzido sem o uso de agrotóxicos”. Fiquei emocionada e agradecida por finalmente aquela oportunidade ter chegado. Na época eu vivia distante dos circuitos alternativos. A feira de orgânicos do parque da Água Branca existe desde 1991, mas eu não tinha ideia. Enfim, guardei o rótulo e no dia seguinte telefonei para o número que aparecia bem pequenininho na embalagem. Atendeu do outro lado um senhor com sotaque meio germânico. E comecei meu discurso: “Ontem encontrei seus produtos orgânicos no supermercado e estou ligando para agradecer a existência de vocês. Muito incrível esse trabalho. Por favor, persistam. Nós que moramos em São Paulo precisamos muito de comida sem agrotóxicos. Que emoção estar aqui conversando com um produtor orgânico. E blá-blá-blá....”

O senhor se cansou da minha tagarelice deslumbrada e passou o telefone para alguém que estava ao lado, outro homem, dessa vez com sotaque argentino. Continuei no mesmo ritmo e percebi que a pessoa já estava tentando se livrar do telefonema. Perguntei: “Existe algo que eu possa fazer para ajudar?”. Ricardo Reigosa, que era o agrônomo responsável pela produção do Sítio A Boa Terra, respondeu: “Estamos iniciando um sistema de assinaturas de cestas orgânicas e precisamos de divulgação e de encontrar mais distribuidores”. Deixa comigo, pensei. Primeiro, virei assinante (não se falava em delivery de vegetais na época), ou seja, me tornei uma das primeiras clientes do primeiro delivery de orgânicos do Brasil. E já que a revista que eu dirigia era focada em vida saudável, escrevi uma matéria contando a novidade e avisando sobre a oportunidade de trabalho. Choveu telefonema na zona rural de Itobi, onde fica o sítio. Dias depois recebi uma ligação em que aquele senhor do sotaque já sabia meu nome e perguntou: “Claudia, o que você faz aí em São Paulo mesmo?”.

Foi assim que nasceu minha amizade com Joop (pronuncia-se Iôp) Stoltenborg, que dura até hoje. Vou parar um pouquinho com a minha narrativa para contar a história da dos Shoenmaker-Stoltenborg. Começa em 1959, com uma família de 11 filhos mudando da Holanda para o Brasil para escapar das dificuldades do pós-guerra. Com muito esforço, tornaram-se pioneiros na produção de flores na recém-criada Holambra (perto de Campinas). Tini Schoenmaker era uma das filhas. Em 1970 o holandês Joop, de origem camponesa, foi passar uma temporada trabalhando no Canadá junto com um amigo. Aventureira, a dupla comprou um fusca e decidiu viajar por toda a América, partindo de perto do Alasca até o sul da Argentina. Quando subiam o continente na volta, fizeram uma parada em Holambra, onde o fusca simplesmente desmontou. Com a parada deu tempo para Joop e Tini se conhecerem e se apaixonarem. Casaram-se, tiveram três filhas, duas netas e o resto é parte importante da história dos orgânicos paulistas. Além disso, são pessoas maravilhosas e engajadíssimas na agricultura e na ecologia até hoje. A empresa-sítio, agora sob o comando da primogênita Nicolette, segue firme e forte entregando cestas em várias cidades do Estado de São Paulo.

Essa história e muitas outras eu ouvi ao longo da nossa já comprida amizade. A primeira visita ao sítio foi ainda em 1999 e acompanhada de Mauro Calliari, meu marido na época. A experiência de ver onde cresciam as espigas de milho, os pés de alface e as abobrinhas que iriam ser entregues na minha casa foi muito emocionante. Como se eu despertasse de uma letargia. Como se por algum tempo eu tivesse quase esquecido que a comida nasce na terra. Como se eu tivesse esquecido que meus avós paternos eram colonos que vieram da Itália no fim do século XIX, fugindo da fome, para substituir a mão de obra escravizada nas lavouras de café do interior de São Paulo, que meu pai tinha nascido na roça, que meus bisavós maternos eram sitiantes. Estava refeita minha conexão com a origem dos alimentos. Que tola eu, me achando a mais urbana das criaturas.

Germinação
Todas as semanas, junto com a caixa de papelão retornável em que chegavam as frutas, verduras, legumes e temperos do Sítio A Boa Terra, vinha um folheto impresso. O “Informativo” era um boletim sobre os acontecimentos do sítio, temas ambientais, memórias agrícolas dos Schoenmaker-Stoltenborg, textos de amigos e colaboradores, receitas e os bastidores da agricultura orgânica. Graças a esse jornalzinho de apenas uma página deixei de ser uma analfabeta agrícola. Comecei a enxergar os desafios enormes da produção de alimentos sem veneno. Perceber quanta dificuldade há para praticar agricultura ecológica num Brasil em que todo o sistema há mais de 500 anos está montado para a exportação de commodities.

Visitei o sítio várias vezes e sempre quero voltar. Além de sempre termos muito assunto, Joop e eu compartilhamos um livro de cabeceira, como se dizia antigamente, ou seja, uma daquelas obras que marcam nossa vida e sempre consultamos: “Small is Beautiful” (fora de catálogo no Brasil, em geral traduzido como “O negócio é ser pequeno”), de E. F. Schumacher.

Joop é meu mestre e foi numa de nossas nossas conversas, no começo deste século, que ouvi a sugestão: “Claudia, você poderia virar agricultora urbana”. Achei o comentário tão estranho que nem consegui responder. Eu nunca tinha topado com as palavras “agricultura” e “urbana” na mesma frase. Aparentemente, a ideia evaporou da minha mente. Só que não.

Embora tivesse soterrado o assunto na mente, a sementinha da horta urbana estava plantada dentro de mim. Ficou adormecida não sei por quanto tempo. Até que em 2006 germinou. Foi o ano em que eu e o Mauro compramos um terreno na região de Pinheiros e começaram os projetos para uma casa nova. Para mim, o espaço da horta virou prioridade. Em setembro de 2008 a obra estava pronta e mudamos. Como quase todo mundo que entra nessa de plantar comida em casa, eu queria mesmo canteiros cheios de alface e tomate, os ingredientes mais comuns das saladas por aí. O jardineiro que colocou grama no quintal plantou as primeiras mudas da minha salada doméstica, que logo sucumbiram à minha falta de experiência.

Tive que começar do zero – ou quase. Minha sutil vantagem era um pai com passado camponês, que começou a trabalhar no cafezal aos sete anos de idade e cuja ajuda foi valiosa nos tempos em que fazia experiências de plantio no quintal. Ganhei dele a primeira sementeira (aquela bandeja de plástico com casulinhos para produzir mudas). Mario Visoni, falecido em 2014 aos 87 anos, me orientava sobre plantio exatamente sessenta anos após ter deixado a vida rural no interiorzão de São Paulo (Penápolis,Tupã, Inúbia e região). Gostava de pescar e durante um tempo teve um pequeno sítio íngreme em Santana do Parnaíba, onde ia praticar a vida de lavrador nas horas vagas. Na época eu era adolescente e queria a maior distância possível de uma enxada.

Quando dou aula de agricultura urbana sempre sugiro que as pessoas busquem orientação dos mais velhos. O Brasil é um país de urbanização muito recente. O grande êxodo urbano se acentuou na década de 1950, e só lá pelos anos 1970 os moradores das cidades se tornaram mais numerosos do que os do campo. Isso significa que a maioria de nós tem parentes vivos com experiência de plantio. O que é um enorme privilégio e facilita o processo de reencontro com a origem da comida. Se você quer cultivar alimentos, ir atrás dos conselhos das pessoas mais velhas (e quanto mais velhas, melhor) ajuda demais.

Minha turma
Hoje em dia, quando olho as fotos do meu quintal nos primeiros tempos de horta, tudo parece ainda bem deserto, embora eu já me achasse uma roceira. Naquela época quase não se falava em horta urbana. Vários amigos e familiares estranharam minha nova mania. Para quê gastar tanto tempo plantando umas folhas e temperos se isso é relativamente barato na feira e no supermercado?

Não foi para me divertir que comecei a horta. A paixão veio depois. Motivações bem racionais me guiaram no princípio. Mas eu não queria só plantar, ver nascer, cuidar, colher e comer. Queria, e continuo querendo, aprender o máximo possível sobre o processo em todos os aspectos. Como agricultora-jornalista, a intenção é compartilhar o aprendizado imediatamente com o maior número possível de pessoas. Tendo acompanhado atentamente o noticiário ambiental desde os anos 1970, percebi que se desenhava no horizonte a era em que as mudanças climáticas e a degradação do solo e das fontes de água em escala global iriam tornar os alimentos mais difíceis de produzir. E que o antigo hábito de cultivar com as próprias mãos parte da refeição se tornaria cada vez mais necessário.

Em fevereiro de 2011 eu pensava ser a única pessoa do mundo preocupada com isso e querendo aprender agricultura urbana de subsistência para prototipar um modo de vida mais resiliente. O Facebook era a rede social do momento. E foi onde encontrei um post da Fernanda Salles, também jornalista e companheira no grupo de mães ativistas do colégio dos nossos filhos. Fê dizia: “Agricultura urbana, aqui vou eu!”. Eu também! Eu também! O post tinha link de inscrição para uma apresentação (que estava na moda chamar de workshop) da Tatiana Achcar no Impact Hub Bela Cintra, espaço moderninho, mistura de cowork com incubadora de ideias e negócios.

Enquanto eu mergulhava no meu quintal, Tatiana largou seu emprego para viajar pelo mundo. Ela jogou para o alto a carteira assinada e, ciclista apaixonada por aventuras, foi pedalar nos Estados Unidos e Nova Zelândia, onde ganhou um novo amor: a agricultura urbana. As hortas já eram moda em São Francisco, cidade mais descolada da América. Assisti maravilhada à palestra da Tati. Não só pelo conteúdo, mas também por existir uma plateia ligada no assunto. Finalmente tinha encontrado minha turma. Naquela noite vi pela primeira vez pessoas que se tornaram importantes na minha vida e na história da Horta das Corujas, como Susana Priz, Lucas Ciola, Popó (Paula Lopes), Sasha Hart e vários outros que a memória não registrou, mas cuja trajetória se entrelaçou com a minha a partir dali. Terminada a apresentação, levantei o braço e comentei sobre a experiência caseira. Eu e Tati começamos a conversar e uns meses depois ela me convidou para ser parceira num próximo workshop sobre o tema.

Aconteceu em julho de 2011 uma aula dividida em duas partes: Tati falando do mundo, eu dando um panorama da crise mundial dos alimentos e dicas para plantar comida em casa. Dessa parceria surgiu o grupo Hortelões Urbanos (primeiro como um grupo de e-mails e até hoje no Facebook). A ideia era criar um ponto de encontro online para que aquelas 30 trinta pessoas que apareceram na palestrinha trocassem informações sobre como plantar alimentos na cidade. Sugeri para Tati que fundasse o grupo e ela veio com esse nome lindo: hortelão, palavra naquele momento totalmente esquecida no Brasil, mas que em Portugal ainda era usada para categorizar a pessoa que faz horta. Feminino: hortelã. Adoro ser uma hortelã.

Tati Achcar e Claudia Visoni, a dupla de jornalistas que as hortas urbanas uniu, na verdade já tinham seus destinos meio enredados por muitas sincronicidades e um bairro. Como já disse, eu cresci na Rrua Pereira Leite, pertíssimo do local onde hoje existe a Horta das Corujas. E na rua de baixo ficava a escola Hugo Sarmento (hoje demolida para a construção de mais um prédio) onde minha mãe, Wanda, dava aulas e foi a professora da Tati na quarta série primária. Mais coincidência: nós duas trabalhamos na mesma empresa, a então toda-poderosa Editora Abril. Eu comecei como repórter freelancer na revista Placar em 1986, depois fui contratada pela revista Náutica. De 1988 a 2000 mergulhei nas femininas: Claudia, Capricho, Elle e Boa Forma, onde me tornei diretora de redação. Tati era repórter do mundo dos negócios e nos desencontramos por pouco. Eu saí da Abril nos primeiros minutos do novo milênio para dirigir o portal Obsidiana (start up de internet) e ela chegou à empresa em 2001.

Zeitgeist
Antes de conhecer essa ainda minúscula galerinha, eu me sentia uma ET apaixonada por produzir a própria salada perdida num planeta em que ninguém mais achava graça nisso. O isolamento acabou com a confluência propiciada pelos Hortelões Urbanos, grupo que seria a incubadora da Horta das Corujas.

Paralelamente às conversas pela rede social, conexões estavam se formando também em encontros presenciais. Naquela noite no Hub que mudou minha vida, conheci também Susana Priz, acompanhada do seu pai, Benjamin, que comentou sobre os grupos de que participava. Uma hora perguntei: “Vocês se encontram em algum lugar? Posso ir?” Ela disse que fazia parte do Coletivo de Semeadores. As reuniões aconteciam no apartamento da Su, num predinho simpático do condomínio que é conhecido como “BNH da Vila Madalena”, a 200 metros da futura Horta das Corujas. Lá pude conversar pela primeira vez com Lucas Ciola, companheiro de tantas aventuras. E a Denise Moura Leite, com quem vira e mexe encontro pela vida afora nas mais diferentes situações. Era tudo muito novo, um grupo de ambientalistas se aproximando da ideia do cultivo de alimentos em espaços públicos meio sem saber por onde começar. Sabe quando chega o momento de uma ideia se espalhar? O tal zeitgeist dos alemães soprava a nosso favor. A gente não tinha noção de que havia muitos outros nessa trilha de reconexão com o plantio de alimentos na cidade.

No boca a boca e clique a clique, os hortelões urbanos foram se juntando. Num primeiro momento, principalmente os paulistanos. Depois começaram a ingressar pessoas de várias partes do Brasil, brasileiros morando no exterior e gente de outros países. Passada mais de uma década, o grupo do Facebook conecta 85 mil pessoas, número de participantes mais ou menos estabilizado. Um estádio de futebol gigante lotado de gente. Aliás, o maior estádio do Brasil, já que no Maracanã não cabem 80 mil pessoas. Cada indivíduo dessa multidão inteira guarda pelo menos uma historinha para contar sobre suas experiências na rede social. Quando vou viajar para algum local (e sempre viajo para conhecer ações de agricultura urbana), aviso lá. Assim ganhei um cicerone em Santiago do Chile, Gui Benevides, que me levou para o meio das manifestações em dezembro de 2019, assim me aproximei da Yayenca Uy, pesquisadora uruguaia e ativista das hortas escolares que mora no Rio de Janeiro. Assim conheci Joaquim Moura, pioneiro dessa história toda, que vive em Visconde de Mauá (RJ) e é o editor brasileiro da revista “Urban Agriculture”. E a xará Claudia Lima, que criou horta comunitária em Salvador. Também o Christovam Guerra, de Recife, que cultivava um “latafúndio” (horta em latas) na varanda do apartamento.

Os Hortelões Urbanos foram crescendo e conexões preciosas foram se consolidando. Mas, como é o próprio das redes sociais online, as tretas também começaram a aparecer. Posts de política, brigas entre veganos e onívoros, gente que aparecia só para zoar ou ser hater e estava atrapalhando a conversa sobre as plantas. As brigas eram longuíssimas, às vezes tensas, às vezes hilárias, em geral ambas as coisas. Precisávamos de mais ajuda para cuidar do grupo. E a Mirinha Cenamo (que em breve vou apresentar) encontrou três participantes queridas com vocação para semear boas conversas: Monica Meira (fera da agricultura urbana de Porto Alegre e cicloativista, entre mil coisas), Tania Quintaneiro (nossa socióloga sempre atenta à paz nos posts) e Celia Goes (a mulher do dedo verde, que mora em Marília, tudo faz brotar e ainda deixa a gente babando com os quitutes veganos que cozinha). Pronto, a equipe de administradoras ficou completa! Sete mulheres que não se conheciam e a agricultura urbana juntou. Se a conta não fechou é porque a Andrea Pesek e a Mity Hori ainda não entraram na história, mas chegam daqui a pouco. São muitas horas de trabalho dedicadas a manter o grupo legal.

Na mesma época da efervescência agrícola urbana no Facebook começavam a aparecer notícias sobre hortas virando moda nos Estados Unidos. Minhas antenas jornalísticas sintonizaram a oportunidade de usar o colonialismo a favor da causa. Explico: aqui no Brasil valorizamos demais o que vem da Europa e Estados Unidos. A mídia está incluída no pacote. Jornalistas brasileiros costumam acompanhar de perto o que é hype (onda do momento) nos países ricos e amam copiar. Mas essa ideia não tem nada de estrangeira. Nossos antepassados desde sempre cultivavam hortas em casa, e o hábito só começou a desaparecer depois da Segunda Guerra Mundial. Por influência justamente do modelo consumista gringo. Deixando o criticismo de lado, percebi que teríamos boa vontade dos veículos de comunicação. 

Anjo Gabriel
Tati e eu estávamos bem animadas com nossas aulas e certa noite nos reunimos em minha casa para organizar o roteiro de mais uma. Um olho no roteiro e outro na conversa da rede social. Aí entrou um jovem (pelo menos o imagino como jovem) chamado Gabriel (lembro o nome, jamais o sobrenome) e provocou: “Vamos ficar só nessa conversa de minha salsinha na sacada, meu manjericão no vasinho? A gente não vai para a praça fazer uma horta comunitária?”. A torcida se animou e o plano pegou fogo. Quando conto essa história, brinco que o tal Gabriel devia ser um anjo e não uma pessoa. Ele jogou o assunto na roda e desapareceu para sempre.

Estava dada a largada para o planejamento de uma horta comunitária. Como ninguém se conhecia ao vivo, precisávamos de uma reunião presencial. Votamos o lugar. Alguns queriam que fosse perto do Centro Cultural São Paulo, mas o pessoal da região de Pinheiros era mais numeroso. Venceu a padaria Villa Grano, que até hoje existe na esquina da Rrua Wisard com a Fradique Coutinho, um dos pontos mais agitados de São Paulo. Agendamos. Os primeiros que chegaram (nunca eu, eternamente atrasada) juntaram mesas e escreveram sobre um papelão “Hortelões Urbanos”. Gatos pingados foram se juntando. Nessa noite conheci André Biazotti, pesquisador e articulador da agricultura urbana no Brasil todo;, Estela Cunha, que depois mergulhou fundo na permacultura e foi viver e plantar na região de Parelheiros;, e Alê Cruz, que trabalhava na Fazendinha e até hoje encontro por aí nos rolês das sementes de um mundo mais verde.

Do encontro saíram dois grupos de trabalho. Um iria organizar uma plataforma online de mapeamento e compartilhamento de ferramentas, insumos e recursos para hortas urbanas. O outro iria transformar em realidade o sonho da horta comunitária. Eu abracei o segundo. Começamos a trocar ideias pela internet e mais uma reunião foi agendada, dessa vez na minha casa. O projeto começou a ser escrito com a ajuda de pessoas que faziam parte do Movimento Boa Praça e tinham experiência com editais.

Aqui outro parênteses para explicar o Movimento Boa Praça. Essa articulação pioneira na ocupação comunitária dos espaços públicos em São Paulo começou em 2008 quando a filha da Cecília Lotufo, Alice, pediu para que sua festa de 5 anos fosse na pracinha perto de casa, no caso, a François Belanger, ali no cocuruto do Sumarezinho, entre duas ruas que parecem avenidas: Heitor Penteado e Cerro Corá. A praça começa na rua Araioses e desemboca na já famosa rua Pereira Leite ou vice-versa. Um local a 300 metros da casa onde cresci e a menos de 1 km da Horta das Corujas. Ocorre que a tal pracinha estava mal cuidada, e Cecília propôs à filha que abrisse mão dos presentes de aniversário para que os convidados oferecessem melhorias àquele local. Deu tão certo que isso gerou um movimento que inspirou muitos outros e foi o embrião da supercomunidade das vilas Jataí, Ida e Beatriz. Esse pessoal iniciou as composteiras comunitárias de São Paulo, sabe fazer festas juninas incríveis, encontros, eventos, compras comunitárias, projetos de redução de lixo e muito mais.

Guerrilha!
Fecha parênteses e voltamos à reunião noturna na minha casa onde um grupinho de hortelões escrevia um projeto de horta comunitária cheio de itens. A proposta era apresentá-lo à prefeitura solicitando permissão para uso de espaço público. O documento ganhava páginas e mais páginas enquanto dissidentes conversavam ao ar livre, na laje onde fica minha horta suspensa. Baixou o espírito libertário e alguém disse: “Isso está ficando muito chato. Não quero documento nenhum. Quero fazer a horta na base da guerrilha. Ir lá, plantar e pronto”.

Sim, guerrilha. Até hoje evitamos usar essa palavra para não dar mal-entendido, mas, no ativismo ambiental planetário, guerrilha verde não tem nada a ver com armas e violência. Significa simplesmente plantar num espaço público anonimamente, sem receber pagamento, sem pedir autorização. Muitas hortas comunitárias começam mais ou menos assim.

A ideia da guerrilha recebeu vários apoios. Então o encontro mudou de rumo. Pela primeira vez começaram a mencionar a Ppraça das Corujas como uma grande área verde onde caberia uma horta. Estávamos nesse ponto do “então é só ir lá e plantar”.

Agora a gente faz uma pausa no relato da gestação da horta para visitar as eras de um lugar. Vou mencionar as informações que recolhi até hoje e deixo para os historiadores a missão de aprofundar os relatos e checar os fatos.

Buraqueiras
Esse canto de São Paulo, hoje conhecido como praça das Corujas, há pouco mais de um século ainda era Mata Atlântica intocada. No mapa cartográfico da região de Pinheiros, em 1913, o córrego das Corujas aparece pertinho da estrada da Boiada (atual avenida Diógenes Ribeiro de Lima). Esse era o caminho dos rebanhos vindos do interior em direção ao matadouro da Vila Mariana, linda construção de tijolos aparentes inaugurada em 1887 e que ainda hoje está de pé, abrigando a Cinemateca Brasileira. Não há nenhum registro de ruas ou praças. A área no entorno do riacho era rural, com a presença de remanescentes florestais. Nos anos 1930 e 1940 a rua Natingui era chamada de rua do Futuro, estava rodeada de chácaras, e bem onde se alarga havia duas araucárias enormes, uma de cada lado. Mais ou menos na época da Segunda Guerra Mundial, o lugar onde hoje é a horta abrigava a chácara do Plácido, que vendia hortaliças para a vizinhança. O bairro, bem longe das regiões mais valorizadas da cidade, abrigava principalmente famílias pobres de origem portuguesa. Rio abaixo, perto do atual sacolão, havia uma plantação de peras e muitas corujas-buraqueiras, aquelas que protegem seus filhotes em buracos no chão. Vem daí o nome, e meu sonho é ver corujas de volta ao bairro. O transporte de mercadorias pela cidade dependia de carroças, o vale entre a horta e a montanha sobre a qual está a rua Heitor Penteado era uma área de pastagem e abrigo de animais, espécie de pasto comunitário. cujo chão consistia em um barro preto que grudava nos pés.

Como eu sei desses detalhes? Em 2017, cinco anos após a inauguração da Horta das Corujas, dei uma entrevista para a Rádio USP, coincidentemente onde comecei a carreira de jornalista. Dias depois o pessoal da rádio me ligou para perguntar se poderia passar meu contato para um ouvinte. Era Rodolfo de Jesus Madaleno, então com 89 anos. Nascido no bairro em 1928, ele lembrou de sua infância ao me ouvir falar da horta. Combinamos de marcar um encontro para que relatasse suas memórias para um grupo de voluntários e ativistas da região. E assim foi feito. A conversa ficou gravada, graças a Licia Beccari e Sergio Correa. É só pesquisar pelo nome do Sr. Rodolfo no grupo de Facebook da Horta das Corujas para ver o depoimento dele.

Lá pelos anos 1950 a região virou um descampado e começou a ser loteada. Em 1964, Miriam Pils Machado mudou com a família para a casa 184 da rua Juranda, a 50 metros de onde hoje é a horta. Conversei com Dona Miriam e suas filhas Marta e Mirtes no sábado de carnaval de 2023. Pelas fotos de família vi que seis décadas atrás o bairro ainda tinha jeito de zona rural e, sobre o córrego, havia apenas uma ponte de madeira. Elas me contaram que mais ou menos onde hoje fica nossa composteira existiam dois barracos de madeira, um habitado por Dona Benjamina e seu filho e o outro pelo Seu Dito. Contatos e sobrenomes se perderam no tempo. Dona Miriam é a voluntária mais idosa que a horta já teve. Enquanto a saúde permitia, ela pegava firme na enxada. Caso você seja íntimo dos canteiros, pode ir lá olhar o sabugueiro e a estomalina que Dona Miriam plantou perto da cerca no lado direito de quem entra, antes da subida.

Já o personagem mais famoso do pedaço nas décadas de 1960 e 1970 era Felipe Martins, o Felipe Boiadeiro. O canto onde fica a horta, inclusive, era conhecido como “fazendinha” ou “Sítio das Corujas”. Seu Felipe ocupava o espaço com seus cavalos e os alugava para filmagens de televisão, cinema e comerciais. Ele e seu filho, Daniel, chegavam a aparecer como figurantes em algumas ocasiões, conduzindo os animais. Mesmo estando a área largada pelo poder público, a praça Dolores Ibarruri foi criada por decreto da prefeita Luiza Erundina em 1989. E continuou abandonada. Dolores Ibarruri, aliás, é o nome de uma líder comunista espanhola que lutou na Guerra Civil daquele país nos anos 1930 e ficou conhecida como La Passionaária, a quem é atribuída a frase: “No passarán!”.

Só em 1994, já na gestão Paulo Maluf, rolou ação de reintegração de posse, sob protesto de alguns moradores. O barracão do seu Felipe foi demolido e os animais ficaram sob custódia do Estado. O Boiadeiro, que já tinha cerca de 80 anos, morreu poucos meses depois. Conversei algumas vezes com seu filho Daniel, que se tornou jardineiro pelo bairro e dizia com orgulho terem sido eles que plantaram as bananeiras que até hoje estão na horta. Durante o período em que escrevia esse livro, foi uma surpresa alegre receber a visita do Daniel quando trabalhava sozinha na horta num domingo. Conversamos um pouco sobre velhos tempos e agradeci o bananal implantado por eles e que lá está até hoje.

Alguns anos depois a praça ganhou uma quadra de esportes e iluminação. Em 2006 começaram articulações de moradores e lideranças locais por uma reforma bacana. A obra foi entregue em 2010 com a presença do então prefeito Gilberto Kassab. Projeto chique e considerado vanguardista, com Menção Honrosa do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em 2008. Os autores, a arquiteta e paisagista Elza Niero e Paulo Pellegrino, ex-professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, criaram biovaletas para direcionar e infiltrar a água da chuva. Essa é uma técnica da infraestrutura verde ou Soluções Baseadas na Natureza, método de planejamento urbanístico inspirado na natureza. As valetas com pedras serviriam para reduzir a velocidade da água e facilitar sua infiltração e filtragem pelas plantas, limpando a água antes de sua chegada ao córrego e, posteriormente, ao rio Pinheiros, onde desemboca. Infelizmente, o projeto não foi plenamente compreendido e implantado pela construtora que fez a obra, que concretou as biovaletas. Conversei algumas vezes com Paulo Pellegrino e, para nós, criadores e voluntários da horta, é muito bom ter contado com o apoio dele desde o início.

Para saber mais detalhes sobre a história da região e, mais especificamente, da praça, vale a pena consultar os artigos e a tese de mestrado do geógrafo Gustavo Nagib, meu querido Guga, com quem encontrei pela primeira vez nos tempos iniciais da horta, na condição de entrevistada. O título é: “Agricultura urbana como ativismo na cidade de São Paulo: o caso da Horta das Corujas”.