A agricultura de larga escala baseada em fertilizantes artificiais e agrotóxicos causa contaminação de pessoas e ambientes, concentra recursos tecnológicos, explora e exclui trabalhadores, provocando o êxodo rural. Como a fertilidade da terra diminui a partir do momento em que adubos artificiais e agrotóxicos entram em cena, cada vez mais desses produtos são necessários. Os custos vão crescendo e o agricultor fica na mão das multinacionais do setor. Vem daí a onda global de falência dos pequenos fazendeiros, tanto no Brasil quanto na Índia, no México e em todos os países onde não existem subsídios fortes para deixar a paisagem cheia de pequenas fazendas bonitinhas, como é o caso da Europa Ocidental.

E o que você, que mora na cidade e já está cheio de problemas próprios, tem a ver com esses dramas do campo? Para não estender muito a explicação, vou ignorar as questões éticas e o consumo consciente. Então, pensando apenas em nossos umbigos urbanos, a coisa complica porque o sistema agrícola que se disseminou após a Revolução Verde da segunda metade do século XX começa a dar sinais de esgotamento. E isso coloca em risco a segurança alimentar de toda a humanidade.

Dizem os especialistas que ainda há tempo para reverter a situação e iniciar uma transição mais ou menos suave para outro modelo de produção agrícola. Este seria orgânico, descentralizado, diversificado, baseado na manutenção e enriquecimento da fertilidade do solo a partir de técnicas que unem os conhecimentos científicos atuais aos métodos ancestrais de cultivo.  

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