Cuidar da horta aqui em casa é uma das coisas mais deliciosas que existem e não dá para explicar o prazer de comer uma salada colhida no quintal.

Com a horta, descobri um mundo totalmente novo. Encontrar uma minhoca revolvendo a terra, por exemplo, se torna motivo de grande alegria. Lagartas adoram comer couve. No auge do verão, muitas plantas sofrem e, quando esfria, elas ficam viçosas novamente. Demora uns três meses para colher cenoura. Sementes em geral são minúsculas e precisa ter a maior atenção para colocar uma só em cada buraquinho. Não é bom deixar a terra exposta ao sol e à chuva (por isso coloco em volta de cada planta a palha seca que sobra do corte da grama). Manjericão, alecrim, erva-cidreira (capim santo) e hortelã são fáceis de produzir e se revezam nas receitas aqui de casa. Pés de abobrinha e berinjela precisam de mais espaço do que há nos canteiros suspensos: agora vou tentar plantá-los no chão. Ainda não consigo organizar muito bem a época da semeadura para ter sempre o que colher.

O mundo agrícola parece o mundo do consumo de cabeça para baixo. Nada é imediato, dinheiro tem pouco valor e lixo não existe. Todas as sobras de vegetais da cozinha e podas do jardim são compostados para se tornar adubo, reiniciando o ciclo da vida. Esterco de gado é um ótimo presente. A primeira vez que ganhei uma porção a ideia de mexer em cocô de vaca me deu a maior aflição. Demorei semanas para abrir o primeiro saco, mas agora quando rola esse tipo de presente, misturar esterco com a terra é uma parte alegre da rotina.

 De manhã, adoro espiar na sementeira os novos brotos saindo da terra. No final da tarde, sempre que possível, deixo o trabalho descansar um pouco e faço o serviço pesado de camponesa que for necessário naquele dia. É mágico ter uma vida rural em pela metrópole!